terça-feira, 5 de abril de 2011

A MAIOR LOUCURA ATÉ AGORA

Queridas pessoas que lêem e não comentam
Queridas pessoas que lêem comentam, mas não se identificam


Saímos de Cusco com destino a Nasca, pois é o ponto intermediário a Lima, nosso destino final, antes de entrar na loucura cometida, tenho que contar uma historinha que ocorreu.

Acordamos de manhã cedo, por volta das 5hs da manhã pois o caminho era longo, depois de percorrer vários km de manhã resolvemos parar para almoçar, logo após o almoço, o Katatal insistiu de maneira muito incisiva que queria dormir naquela pequena cidade, não entendemos o porque disso.

Quando estávamos saindo da cidade se viu um pequeno prédio com a fachada “Camal Municipal”, o Kata quase pirou, quis ficar a todo custo, pois a noite tinha sessão, sabe como é ele é tarado pelo trabalho dele hehehhehhe.


Agora falando sério, o que no começo se apresentou como um prazer, posteriormente além de se mostrar como um tormento, passou a ser um risco.


A quantidade de curvas nesse trecho era absurdamente demasiado, mal acabava uma curva começava outra, o que para os motociclistas era muito cansativo, além da quantidade, as curvas eram muito acentuadas, eram tão fechadas que Abdiel pai chegou a decorar a placa da própria moto, eu por minha vez bati umas duas vezes a carretinha (pipoca) na porta lateral traseira hehehe.

Além das curvas, esse trecho era cheio de animais soltos, que a todo tempo nos surpreendiam, as carretas com duplo eixo nas mencionadas curvas fechadas invadiam a pista contrária, o que por vezes jogam a gente fora da pista ou nos obrigava a parar inteiramente na pista.

As descidas e subidas eram decoradas com grande quantidade de pedras pequenas, médias e grandes, as chamadas “zonas de derrumes”, que independente de qual delas, caso não se desviasse acabaria com a viagem, outra situação que merece comento são a grande quantidade de água corrente advinda das montanhas, que por vezes fazia as motos e camionete aquaplanar, determinado momento encontramos até gelo na pista, quase quase que sou jogo fora.



Por volta de umas 17hs chegamos a cidade de Puquio onde abastecemos, o cansaço era geral, todos exaustos, porém tal cidade era pequena com pouca infraestrutura, assim alguns queriam ficar nesta, outros queriam chegar a Nasca, diante disso foi feito votação cujo resultado foi chegar a Nasca, com voto de minerva do Abdiel pai, nem me deram direito a voto, só porque eu to de carro, acho isso uma sacanagem.

De Puquio para Nasca eram apenas 160km, porém devido a quantidade de curva, bem como as demais adversidades já citadas a duração da viagem nesse trecho foi de 2h30min, pois além do já citado, havia o frio, especialmente para o Alexandre que não tem aquecedor de manopla, uma hora o encontrei parado no acostamento com as mãos no escapamento da moto, e a escuridão, que aumentava ainda mais o perigo.


Nesse trecho de Cusco a Nasca não havia a margem das pistas, aquela proteção depois do acostamento, aquela que impede a gente de passar direto, e acabamos comentendo a besteira de olhar para baixo, gente, era uma pirambeira de uns 1.500m de queda livre, ou seja, tínhamos que ser perfeitos nas curvas, pois se errássemos teríamos que acionar os pára-quedas, ai Meu Deus, lembrei a gente não tinha pára-quedas.

Graças a Deus conseguimos chegar a salvos em Cusco, todos muito cansados, em especial Abdiel pai, que nem se deu o trabalho de sair pra jantar, pediu comida no quarto pelo serviço de quarto (EU).

Os demais saíram para ligar para seus respectivos, e por um acaso, todos jantaram num restaurante chinês, levei um chineszinho pro meu pai, que jantou e voltou a dormir, amanhã rumo a Lima.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O pico de nossa viagem - Machu Picchio

Queridas pessoas que lêem e não deixam nenhum comentário,

Por volta de umas 06 horas da manhã acordamos, preparamos as mochilas, tomamos café da manhã e aguardamos o guia chegar no Hostal para nos buscar e levar a Machu Picchio.

Dito e feito as 7hs o guia estava lá, nos deu algumas instruções pegou o nome de todo mundo, e falou para que escolhêssemos o nome do grupo, foi nessa hora que o grande Katatal teve uma idéia de homenagear um de nossos companheiros, e deu o nome do grupo de Shopping Center, pelo motivo explicado no post passado.

A bandeira que deveríamos seguir era de cor azul, ou como chamamos aqui de “coloro celeste”, que estava amarrada na ponta de um grande guarda-chuva.

Pegamos um ônibus rumo à Machu Picchio, a viagem levou cerca de uns 45min, até chegarmos ao pé da montanha dos Incas.

Como estava chovendo, todos nós tivemos que vestir de capa de chuva que normalmente era vendida na hora, nosso destaque foi o Alex que, como não podia deixar de ser, comprou uma capa cor-de-rosa, a cara dele, esse pessoal do MT gosta de rosa, eu tava de azul, Abdiel pai de laranja e os demais de preto.


Guardamos nossas coisas no guarda volume, fomos ao banheiro e passamos pela catraca da montanha, e adivinhe o que aconteceu? Perdemos alguém no caminho.

Dessa vez perdemos o Katatal, gente ele sumiu, todos de capa de chuva uma igual a outra, e tem mais achar aquele baixinho na multidão é difícil demais, principalmente se ele estiver para cima de nós qualquer joelho esconde ele.


Depois de muito gritar por ele, até cogitamos abandonar o grupo e contratar um novo guia para esperá-lo, mas resolvemos subir e caso não o encontra-se lá em cima iríamos voltar para procurá-lo em baixo.

Subimos, pessoal das duas uma ou nosso preparo físico está zero ou a subida era muito íngreme ou ambos hehehehe, depois de uns 15 a 20 cm de língua pra fora chegamos e na parte plana deu para encontrar o baixinho.

O nosso grupo foi repartido em dois e acabamos ficando com um guia que não queríamos, pois ele fala espanhol muito rápido e o Everson não entendia nada, além do que pensa num cara ressentido, demonstrava claramente sua xenofobia por espanhóis e americanos, cujo motivo a própria história explica.

Iniciado o passeio e explicações.

Cara o visual, as sensações são indescritíveis, segundo Abdiel pai as pernas chegam a doer só de olhar para baixo, aí você passa a imaginar o que é morar num lugar como aquele, é incrível, fora as questões científicas desenvolvidas por eles na área da agricultura, astronomia, engenharia etc, é tudo muito misterioso e intrigante.


Já a questão religiosa também é muito acentuada, visto que cada pedra, cada formato tem uma questão religiosa envolvida, tanto que crêem que lá era uma espécie de monastério.

Deve-se registrar que o dia estava chuvendo e com muita neblina, a visão era maravilhosa, mas para tirar fotos não fica muito bom.

Lembram que comentei nossa bandeira guia estava amarrada num guarda-chuva, como começou a chover nosso guia abriu o guarda-chuva e dependendo do ângulo que estivesse não dava pra ver a bandeira, vale lembrar que tinham vários grupos, umas mil pessoas lá em cima, todos de capas de chuva e guarda-chuvas abertos, tá bom chega de desculpa, eu e meu pai nos perdemos do restante do grupo.

Quando reencontramos o grupo, percebemos a falta de algumas pessoas, por exemplo, o Alex, o Alexandre, o Katatal e o Everson, ou seja, não tinha ninguém com o guia, acho que ele era muito chato, ou todo mundo se perdeu mesmo.

Assim, findo o passeio, Abdiel pai e eu descemos para almoçar, tínhamos duas opções um restaurante muito chique e caro e uma lanchonete bem mais barato, lógico que optamos pela lanchonete, que descobrimos não ser tão barata assim, gastamos uns R$ 80,00 com dois sandubas e refrigerantes.

Terminado nosso almoço (lanche na verdade) vimos de longe o Alexandre descendo sozinho da montanha, e descobrimos que ele havia se perdido do pessoal, assim, ele almoçou e ficamos esperando o restante do povo.

Olha, vou lhe falar uma coisa bem séria, nunca estive tão orgulho de mim e de meu pai, nesse almoço sentou-se na mesma mesa um casal de irmãos Austríacos e um casal de Alemães que moravam no Canadá, começamos a conversar em Inglês e Espanhol, sobre todos os tipos de assunto, política, direito, saúde, economia tudo, salientando que a comunicação entre todos foi muito clara.




Ou melhor, quase clara, determinado momento, as palavras em inglês e espanhol fugiam e os quatro começavam a falar em alemão, aí eu e meu pai ficávamos boiando, mas não mais do que o Alexandre que só entendia espanhol, foi muito legal.

Esperamos pelos meninos até umas 15hs , quando tivemos quer ir embora sem eles, pois nosso trem partia às 16h 30min, pegamos nossas coisas no Hostal e fomos para o embarque, quando chegamos lá, como esperado, eles já estavam lá.

Descobrimos que nosso desencontro se deu por diferença na classe social, como eles são mais ricos e chiques que nós, foram comer naquele restaurante, pagaram U$ 35,00 (trinta e cinco dólares), uns R$ 60,00 cada um, e não esperam pela gente foram embora direto por volta de 13hs.

Vamos abrir um parêntese aqui, contratamos um pacote turístico completo, com tudo pago, os ônibus, a van, o trem, entrada, hospedagem, tudo menos a alimentação, mas quando encontramos o cara da van, que era outro que não o que havia nos deixado, esse gentil senhor quis nos cobrar 70,00 soles de cada um de nós para nos levar de volta ao Hotel em Cusco, deu uma de espertão.

Gente, o bicho pegou, fomos pra cima dele com nosso vasto portanhol, depois de muita briga, e ameaças de chamar a Polícia Turística e nos levou de graça, mas se fossemos um pouco mais passivos ele teria conseguido o que queria, isto é, enganado os trouxas.

Ao chegar no Hotel em Cusco descobrimos como o clima mágico de Machu Picchio muda as pessoas, é tão divino que torna-as desapegadas as coisas materiais, por exemplo, eu perdi meus óculos e o Alexandre perdeu os óculos escuros do filho dele e a máquina digital da mulher dele, vai apanhar quando chegar em casa.


Durante a viagem na van, eu e o Kata ficamos no banco de trás, logo acima dos pneus, e viemos sacudindo de lá até Cusco, por mais de 2hs, chegamos nas últimas, passando muito mal, assim, na hora de jantar a gente não deu conta, e olha que pra eu dispensar jantar é difícil, assim, ficamos no Hotel e os meninos saíram foram jantar num dos restaurante da Praça de Armas, disseram que foi muito bom.

Assim, mais um dia chega ao fim, amanhã poremos o pé na estrada novamente, rumo a Nasca, depois eu conto essa história.

quarta-feira, 30 de março de 2011

ÁGUAS CALIENTES

Mais uma vez pensei que havia contado tudo do dia, mas vem a noite e me surpreende, como fomos almoçar tarde, acabamos indo jantar tarde também, nosso companheiro Alexandre, que já fez esse passeio anteriormente, nos indiciou um Shopping, lugar onde ele havia comprado em outra oportunidade, um perfume para sua esposa.

Pegamos um táxi, que diga-se de passagem é muito barato, pois para percorrer longas distâncias não se gasta R$ 3,00, e fomos em busca do falado Shopping, os taxistas nos levaram a um feirão, tipo a Feira do Paraguai em Brasília, tipo o Camelodromo de Porto Velho, ninguém sabia de outro Shopping na cidade, depois descobriu-se que se tratava de uma galeria de dois pisos.

Até que foi bom, o Alexandre comprou um “pisante” catterpillar e eu comprei uma mala nova, pois a minha já estava me abandonando.

Na manhã seguinte, preparamos uma pequena mala para passar um dia e o restante da tralha ficou no Hotel, tudo pronto para irmos à Machu Picchio, pegamos um van por cerca de 1h e meia para chegar a estação de trem, caminhamos uns 20 min para chegar ao trem, a viagem de trem durou mais umas 2hs e chegamos a cidade de Águas Calientes.





Durante todo esse percurso tanto de van, quanto de trem as paisagens eram lindas, paisagem montanhosa, vales, corredeiras, picos congelados etc.


Nos hospedamos no Adela´s Hostal, mas esse era muito bom, tinha vista para as corredeiras dos rio, aquele sonzinho de chuva e temperatura agradável, muito bom o hostal.

Chegamos, nos hospedamos, largamos as coisas e fomos almoçar, já prontos para irmos às piscinas termais, nesse almoço eu fui o único que teve coragem de encarar o Cuy, é um roedor, uma espécie de preá, porquinho da índia, alguma coisa assim, serviram-no frito, mas não gostei muito, faltou tempero.




Vocês lembram daquela propaganda? “360km, 360km para um pouquinho, descansa um pouquinho 359km”, pois é foi exatamente isso, para chegar as águas termales era necessário fazer uma grande subida, muito íngreme e ao longo dessa caminhada tinha vários bancos para descanso, acho que sentamos em todos hehehe.


Mas valeu a pena, são várias piscinas de água naturalmente quentes, sendo que cada uma com uma temperatura, muito relaxante, estava chovendo, então ninguém conseguia sair da água, pois o frio era muito, depois de umas duas horas resolvemos sair, Abdiel pai que não tem juízo saiu da piscina quente e se enfiou de baixo de uma bica de água a 0ºC, eu que morri de inveja fiz o mesmo, quase tive um treco, arrepiou até os cabelos do...


A noite eu fui as compras, gastar todos meus soles, com lembranças pra minha mulher e filho, enquanto os meninos foram fazer uma massagem e jantar, dizem que a massagem foi muito boa e o jantar melhor ainda, eu tomei uma sopinha e fui dormir, pois no dia seguinte a caminhada para Machu Picchio era grande.

Amanhã tem mais histórias

CUSCO - O Inimigo agora era outro!

Queridos leitores,

Continuo sem criatividade para títulos, meu medo é só alguma cobrança por direitos autorais, mas vamos mesmo assim.

Depois de uma boa noite de sono na aconchegante Marcapata, nos preparamos para sair, e pelos mesmos motivos, nada de banho, “male mal” escovaram os dentes, quem mais arriscou fui eu que molhei o cabelo para pentear hhheehehe

O dono do hostal, mas uma vez se aproveitou de nós, dessa vez foi no café da manhã, cobrou valores que não foram cobrados em hotéis de primeira, mas tudo bem, naquela circunstância não tinha muito o que se exigir.

Enquanto comiamos reparei no café da manhã servido as pessoas que também comiam ali, em especial nas crianças que se alimentavam antes de ir pra escola, dá uma olhada no prato, arroz (muito arroz), ovos, e muito abacate com sal, eu achei um tanto quanto diferente.


Seguimos à Cusco, no caminho encontramos a parte que havia nos impedido de prosseguir com nossa viagem, realmente sem qualquer chance de nós conseguirmos transpor aqueles obstáculos.

Passado o deslisamento o obstáculo agora era outro, pois para chegarmos a Cusco teríamos que enfrentar uma altitude de mais de 4 mil metros acima do nível do mar e temperatura de 5ºC.


Para nossos guerreiros de duas rodas foi mole, pois em nada influíram em suas vidas, contudo para um “gordito” de quatro rodas e vários pneus a altitude quase o matou.

Gente, vcs não tem noção de como passei mal, segundo meu pai eu estava amarelo, eu tive ânsia de vômito, azia, dor de cabeça, dor no fundo dos olhos, vertigem, tontura, dor no peito, tava quase morto, mas conseguimos chegar à Cusco.

Como desgraça sempre vem acompanhada quando chegamos a Cusco fomos atrás de Hotel, e adivinhe?
Me perdi do grupo, dessa vez aguardei contato pelo celular do Abdiel pai, imagine passando mal e esperando, até que chegou um mensageiro do hotel e me conduziu até o pessoal.

Como estava muito mal, nem as malas desci do carro, nem o estacionei, larguei tudo e fui deitar, tentar desmaiar num lugar confortável, foi aí que eu descobri as maravilhas da coca, foi exatamente o chá de coca que me fez levantar e querer cantar uma bela canção, gostei do trem hein!., mas ainda restava um pouco de dor de cabeça que foi curada com Sorojchi Pills que o Kata comprou pra mim.

O Kata por sua vez sofreu retardadamente com a altitude, pois após a chegada e o descanso, foi sua vez de passar mal, mas depois superou.


Já recuperados resolvemos almoçar, por volta de umas 5hs da tarde, quase uma janta, Abdiel pai e filho e o Everson resolveram enfrentar uma comida típica e comemos carne de alpaca, que eu nem sabia que era tão bonitinho senão não teria coragem de comer (até parece), já Alex, Alexandre e Katatal enfrentaram a truta, peixe que não é da região, mas se adaptou perfeitamente e hoje em dia é cultivado por aqui.


O centro de Cusco é lindo, com arquitetura rústica, boa comida, limpa, tudo de bom, e quando chega a noite fica ainda mais encantadora, muito bem iluminada e receptiva.



Tem gente do mundo inteiro nesse lugar, todos com o mesmo objetivo conhecer Machu Picchio, eivados do espírito de mochileiros que é contagiante em toda a cidade.

Vamos ver o que nos reserva o dia de amanhã.

domingo, 27 de março de 2011

El descobrimiento Del Peru

A partir desse momento nossa viagem realmente começa no Peru, pois até o presente momento estávamos percorrendo o Brasil e Puerto Maldonado não ajuda muito.

Saímos de Puerto Maldonado para Cusco, durante a viagem se percebe uma abrupta mudança de paisagem, bem como de clima, durante a viagem a paisagem deixou de ser plana passando a ser montanhosa e o clima passou a esfriar somado a fortes correntes de vento.

Nesse ponto a viagem para nossos amigos motoqueiros passou a ser mais agradável, visto que o sol ficou menos intenso e a estrada mais sinuosa, a crianças se divertiram fazendo curvas, eu por minha vez me divertia filmando-os.

Paramos para almoçar num vilarejo que encontramos, na própria carretera (seria a nossa BR), encontramos um restaurante com aparência muito boa, estacionamos e quando íamos entrar, por pressão e sugestão do Alexandre, fomos a outro restaurante em uma rua não asfaltada e com aparência sofrível.

Acredito que tal escolha se deu pra melhor conhecer a cultura local, contudo, tenho que confessar que a comida servida me surpreendeu, muito gostosa e com um sabor especial, nos foi servido também um refrigerante local de nome Inca Cola, é gostosinho, não é “aquela Coca-Cola toda”, tem gosto de chiclete de Tutti-fruti, com cor de material radioativo.

Depois desse almoço esplendoroso o Alexandre descobriu por que aquela comida estava tão gostosa, ao palitar os dentes tirou um besouro, que certamente foi o que deu o melhor tempero.

Continuamos na estrada, fomos surpreendidos por uma forte chuva e muita neblina e já estávamos subindo a Cordilheira dos Andes, devido essas intempéries recebemos a notícia de que não seria possível chegar a Cusco, pois parte da pista havia sido interrompida por um desmoronamento.

Assim, retornamos para o primeiro vilarejo que encontramos, que no caso foi Marcapata. Nesse vilarejo não tem Hotéis, somente Hostal, para clarear, Hostal é uma espécie de alojamento onde são alugadas as camas, normalmente para os mochileiros, e tem banheiro comunitário, sem qualquer conforto, ao qual estamos acostumados, por exemplo, calefação (pois faz frio), banho quente, garagem etc.



Nossas acomodações eram precárias e estava muito frio, todos dormimos de roupa, calça, meias e camisas de manga, não só pelo frio, mas para tentar evitar ao máximo o contato da pele com aquelas “limpas e cheirosas” roupas de cama, devido ao frio e falta de água quente, banho nem pensar.


Por falta de garagem, a camionete dormiu na rua e as motos quedaram-se na casa de uma moradora local.


Antes de ir dormir nos fomos jantar num restaurante que era do mesmo dono do Hostal que nós nos hospedamos, sendo que este cobrou o olho da cara pela comida, a teoria da conspiração afirma de que é ele quem manda explodir parte do barranco para ganhar clientes.


No jantar, quase todos pediram bife na chapa, ou como se diz aqui, “biste a La placha”, era uma carne muito dura, de difícil mastigação, foi aqui que se descobriu o “boi alpinista”, pois a carne era dura de tanto exercício que os animais faziam.

Todavia, uma coisa não se pode negar, ninguém passou frio, pois as cobertas eram bem grossas e pesadas, tanto que o Everson se queixou de que o peso das cobertas estava atrapalhando a circulação do sangue.

Na madrugada, o Alexandre descobriu o motivo de tanto peso, ao mexer entre uma coberta e outra caiu mais ou menos um quilo de barro, por isso tanto peso.

Dessa vez, todos dormiram bem, pois ninguém passou calor.

sexta-feira, 25 de março de 2011

ESTRADA PARA PERDIÇÃO

Queridas pessoas que não tem muito o que fazer e lêem esse blog,

Sei que o título dado a este post não é nada criativo, visto que é o nome de um filme famoso de Hollywood, mas no decorrer do relato vocês hão de me dar razão.

Primeiramente pensei que o dia de ontem já havia sido inteiramente descrito, mas ele ainda reservava algumas surpresas, passemos a enumerar alguns fatos importantes.

1ª Perdição: Depois de relaxar um pouco resolvemos sair para jantar, contudo não sabíamos bem ao certo onde, foi quando ele, o conhecedor de tudo, o cara do Rio Branco-AC, o Katatal indicou para jantarmos o restaurante El Paso, nos informou ainda que era perto do Hotel e que poderíamos ir a pé.



Fomos, passamos por vários restaurantes, mas não era o que fora indicado, cerca de meia hora depois de caminhada por caminhos desconhecidos, nosso guia resolveu perguntar onde ficava o restaurante e descobrimos que passamos do lado dele, contudo estava sob reforma, e os demais, devido nossa demora também fechou.

2ª Perdição Assim, diante do primeiro fracasso, nosso guia resolveu nos indicar os restaurantes do espaço Beira Rio, nos informou novamente que era perto e que iríamos a pé, e nós trouxas acreditamos e fizemos mais meia hora de caminhada, por caminhos ainda mais perigosos, dessa vez passamos por dentro da cracolândia de Rio Branco, que só não fomos atacados pelos moradores de tão nobre lugar por que estávamos num grupo bem grande e só de homens (eu acho).

No restaurante em questão valeu a pena, comida saborosa, chopp gelado, foi comer e ir dormir.


Tomamos café e nos preparamos para reiniciar nossa viagem.

3º Perdição: Nossos paladinos das estradas dentro da cidade são muito velozes e esquecem que tem um gordinho com uma camionete arrastando um reboque, e se mandam na frente, conclusão, dessa vez que se perdeu fui eu, rodei Rio Branco inteiro e não acha a saída, até que deu certo, isto é, cerca de 1h depois.

4ª Perdição: Nos dirigimos a Brasileia fronteira com Cobija , devido o atraso da saída, motivos já expostos, não iríamos fazer compras na Bolívia, mas “El conhecedor”, o baixinho, resolveu guiar-nos em Brasiléia e atravessou direto para “La banda” para abastecer pois o preço da gasolina é mais em conta, coitado de nós rodamos por uns 40 min na cidade e para surpresa geral não tinha gasolina na cidade e o abastecimento de veículos estrangeiros é proibido.

5ª Perdição: nesse tempo em Cobija, nosso aventureiro matogrossense Alex fez o favor de se perder do grupo, para nossa sorte, ainda havia sinal de celular e conseguimos reencontrá-lo.

6ª Perdição: Eu de novo, para voltar para o Brasil, me perdi do grupo, que teve que ficar me esperando do outro lado da ponte, sabe como é, perdi minha bússola antes da viagem.

7ª Perdição: Nos encaminhamos para Assis Brasil, fronteira com o Peru, dessa vez a perdição foi de tempo, passamos mais de 3 TRÊS horas para passar pela Duana e Polícias, pensa num desespero.

Lembra que eu alertei que o Katatal estava com uma moto mais alta que ele, bem como que estava usando uma escadinha? Pois é, ficou um pouco mais confiante deixou a escadinha de lado e tentou subir e descer da moto sem ela, conseqüência, tacou a moto no chão, tendo que ser ajudado por umas 4 pessoas que estavam em volta, e ainda brigou comigo, pois eu quis tirar uma foto.

Agora, ele mudou de estratégia, vai calçar uma plataforma 20, igual a da Globeleza.

8ª Perdição: Vocês podem não acreditar mas a estrada da fronteira para a cidade de Puerto Maldonado tem no mínimo uns 100 quebra-molas, mas chegamos, como a ponte está sendo construída tivemos que atravessar de balsa, como era tarde, a balsa grande era só de dia, tivemos que atravessar em mini-balsas, uma aventura, foi quando Abdiel pai, pediu para que eu segurasse um capacete e uma luva, quando chegamos do outro lado do rio, só tinha o capacete a luva se perdeu

Dos males o menor, pois durante a subida na balsa o Abdiel pai quase perdeu foi a moto dentro do rio, não diferente aconteceu comigo, quase dei um banho na camionete direto no rio.


Finalmente chegamos ao Hotel, de cara fiquei puto, não havia quartos com ar-condicionado, somente com ventilador, mas tudo bem, já tava na merda mesmo, jantamos maravilhosamente bem e fomos dormir.

9ª Perdição: Descobri que a falta de ar-condicionado não é problema, problema é quando falta energia a meia-noite e só retorna as seis da manhã, tô um caco, dormi na cama suando que nem tampa de chaleira, fui pro chão, suei que nem cuscuz, tomei um banho, retornei pro chão, nada, foi quando Abdiel Pai me vendo naquela agonia me sugeriu que fosse para o carro, dito e feito, dormi o resto da noite (uns 45min) no carro até que a luz do dia me acordasse.

Foi só, espero que o dia de amanhã seja melhor

terça-feira, 22 de março de 2011

UMA NOVA AVENTURA SE INICIA!!

Antes de iniciar a postagem de hoje, quero fazer uma homenagem a minha mulher Mônica e meu filho Abdiel, ou como chamamos ele em casa Bidizinho hehhehee.

Depois que nossa família se completou, essa é a primeira vez que me afasto deles por um período que sei que vai ser longo. É muito ruim quando que a noite e eu não os encontro em casa me esperando para uma sessão de carinho intensa que dura até minha saída novamente para trabalhar, já estou morrendo de saudades, amo vocês.

Nossa viagem tem saída de Porto Velho, em tese, rumo à Capital do Peru, Lima, saindo pelo Acre, utilizando-se da Transoceânica, justificando o em tese, por que para alguns de nós a viagem começou antes de Porto Velho, na verdade, somente para o Abdiel pai que iniciou em Porto Velho.

Passemos a conhecer os integrantes dessa aventura:
EU, (o burro sempre na frente), Abdiel Filho que saí de Cacoal de ônibus rumo a Porto Velho, sou o responsável pelo apoio às motos, dirijo uma Hilux acompanhado da pipoca (nome da carretinha de apoio, foi dado na viagem passada)

Abdiel pai pilotando uma BMW cheia de frescura (som, vidro elétrico, aquecedor de manopla e banco, raio laser e capa de invisibilidade)





Katatal, vulgo Luiz Carlos heheehhe, vindo diretamente de Cacoal, faço um parêntese para falar do Kata, ele adquiriu recentemente uma moto BMW estradeira, pensa num homem guerreiro, foi buscar a moto em Cuiabá, e teve que rodar 1 mil KM para fazer a primeira revisão e não perder a garantia, depois foi rodando de Cuiabá a PVH, ocorre que essa moto é alta e ele é baixinho, assim agora ele tá andando com uma escadinha, sob na moto e recolhe a escada puxando pela cordinha, uma figura.






Everson vindo diretamente de Cacoal, pilotando uma V-strom 1000 cilindradas, que nessa viagem não precisa mais ficar colocando óleo na correia a cada meia hora, pois, por incrível que pareça ele colocou a mão no bolso e comprou uma gambiarra que pinga óleo direto, duas gotas por minuto.

E os dois novos integrantes, Alex e Alexandre, parece dupla sertaneja, que vieram de Cáceres/MT, o primeiro pilotando uma BMW e o segundo de Varadouro, ainda estou conhecendo eles, mas a primeira impressão foi ótima, pessoas super simpáticas e parceira, eu fiquei tão impressionado que postei essa foto, sabe como é uma imagem fala mais do que mil palavras.


Lamentavelmente, não pudemos contar com a presença dos nossos amigos Heverton, Aluildo e Tarrafa, estão fazendo falta.

Com relação ao primeiro até que se justifica, visto que foi eleito e escolhido para ser o Novo Procurador Geral de Justiça do Ministério Público, com relação aos outros dois, teremos que futuramente analisar vossos pedidos de inscrição no grupo, pois a falta injustificada ou com justificativa fajuta enseja exclusão, iremos pensar e deliberar oportunamente.
Todos apresentados, passemos a viagem:
Saímos de PVH por volta das 10hs da manhã, demos uma parada no castelinho para um lanche e banheiro, lá encontramos um molho de pimenta maravilhoso, compramos logo três potes, assim nossa viagem ser certamente apimentada.
Foi exatamente no Castelinho que se percebeu que nosso companheiro Katatal estava com a camisa do lado avesso, só porque o símbolo das costas é maior que o símbolo da frente, sabe como é... Complexo de inferioridade...

Chegamos em Rio Branco final de tarde, imediatamente o Everson e Alex foram arrumar as motos deles, sabe com é essas motos quebram por qualquer coisa...

Estamos no Hotel Inacios, e antes de chegarmos aqui me perdi no caminho (ninguém me espera), tive que contratar um táxi para me ensinar o caminho, mas quem sabe até o final da viagem os motoqueiros não aprendem a esperar pelo apoio.


Todo mundo foi pra piscina, e eu tõ aqui escrevendo, deu inveja tô indo

bjs a todos